30.6.07

(praia)

esperar é sempre, sempre, quase sempre, às vezes, desesperar!

29.6.07

alguém me explica

que programa é aquele que dá as 3h da manha na TVI??

e de onde veio aquela -p e r s o n a g e m- que o apresenta???

(é fantástica! consegue por o cleber a um canto!)


UPDATE (a propósito, descobri uma critica de João Gobern ao dito programa)

"Haverá uma razão oculta, um imponderável que não se consegue descortinar, (...), para que a estação líder de audiências em Portugal se dê ao luxo de pôr no ar uma coisa como Toca a Ganhar (...). Fácil é culpar Liliana Aguiar, que esconde a sua perturbação atrás de um discurso matraqueado e da sua aflição por "dar dinheiro aos portugueses". (...) é o próprio programa que é patético (...). Passa-se da insónia ao pesadelo. Foge!"

para mim, tanto o toca a ganhar como as televendas têm um humor apuradissimo, que a esta hora só é uma mais valia!

28.6.07

por aqui:

só se trabalha.
(numa luta desesperada contra a velocidade de um tempo que é quase vazio!)

pipa: temos de ver sempre a parte positiva das coisas, para além das entregas que se aproximam a grande velocidade,

também as férias estão quase aí, as ultimas enquanto estudante, espera-se!!

24.6.07

direitos

adoro a expressão "perequação compensatória",
e esforço-me para não me lembrar qual é o seu significado!

(legisladores: gente dificil!)

23.6.07

"Gostar de ti é um poema que não digo"


in Uma Flor de Verde Pinho,
Manuel Alegre

21.6.07

ciclos que se fecham, ciclos que se abrem. acabar, começar, recomeçar, partilhar. acreditar, entregar, esperar, abdicar. ter vontade, ter saudade. é inteira a naturalidade de se sentir só, genuinamente só. hoje é um dia especial. tenho medo e sou feliz.

ouvi bem?

"vem aí calor!"

:)

hoje é o maior dia do ano!
o verão deixa-me tão feliz: só por ser verão,
tem a mesma inocência do que é "desejado só pela sua beleza".

20.6.07

(...)
Como la balanza que mide el tiempo,
la soledad y el silencio
como un agujero en el cielo
por donde se van los sueños
como esa cesta que tanto cuesta llenar
y que se vacía al momento
...me gusta como eres.
(...)

Me Gusta Como Eres,
Jarabe de Palo

eheh não sou limão!!

e devia haver (parte 2)

... uma maneira de nos teletransportarmos sempre que quisessemos para qualquer parte do mundo! assim, enquanto o senhor dissertava furiosamente sobre a legislação e as áreas minimas e os compartimentos da cozinha de um restaurante, eu estaria num segundo: numa qualquer praia do brasil a torrar e a beber caipirinhas (a costa só não servia porque não temos tido sol!).

tinha era de ja ter o biquini vestido!... não?

19.6.07

devia haver

uma qualquer máquina que fizesse stand-by às pessoas que de repente nos estão a chatear nos dias!
só não digo shut-down porque ainda não tenho os instintos assassinos apurados, e porque às vezes até sou querida. :)

(um beijinho a si, por hoje ser um dia mais dificil que os outros!)

i'm young and i'm restless

and i'm ready and ripe!

hoje só queria ficar a ver-te dormir, amar-te no silêncio quente que me persegue em ti.

18.6.07

no autocarro do costume

Habituei-me a ver-te todos os dias, no autocarro do costume. Entravas duas paragens depois de mim e avançavas em busca de um lugar disponível, indiferente a quem te olhasse, a quem te ignorasse; sentavas-te, olhavas pela janela: e desaparecias. Deixando-me livre para te observar, para te estudar, para te descobrir; e depois, mais tarde, naturalmente, para te imaginar, para te fantasiar, para te desejar. Até que um dia deixaste de vir. Agora, habituei-me a não te ver todos os dias, no autocarro do costume; mas continuo a imaginar-te, a fantasiar-te, a desejar-te. Na verdade, a tua ausência libertou-me: tornou-se mais fácil apropriar-me de ti agora que não passas de uma memória, de um pretexto. A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?

Paulo Kellerman

em minguante

17.6.07

procura-se:

* sol * liberdade * férias * azul * calor * fotografias * brigadeiros * areia nos pés * viagens * cervejas (geladas, porque o calor veio primeiro) * noites com estrelas * verão (amigo?) * livros bons * crescimento * amor * independência * o nascer do sol a ser devagar * pessoas cativantes * friozinho por dentro * as vieiras da vila velha * tempo * trabalho * casa: a minha * ondas na cara * concertos * paz * o amarelo da cidade que tropeça nas esquinas * ritmos * um copo de vinho no fim da noite * tu (where are you?) *

tenho fechada a sete chaves no armário a essencia das vontades submersas pelos dias.
viva as noites boas! viva a procura da liberdade na alma.
(parabens ao ricardo!)

16.6.07

horas felizes

O vento é a música de dança das árvores.
As chaminés não sabem que é feio apontar.
Os copos sentem-se vazios quando ninguém bebe por eles.
Os lápis são escritores inseguros.
As esferográficas são operárias especializadas.
Os agrafadores não gostam de ideias à solta.
Os bigodes são aprendizes de ventríloquos.
O rio queixou-se das margens por assédio sexual.
Fazer a barba é afinal desfazê-la.
O mar inspira e expira.
As rosas têm licença de uso e porte de arma.
Os candeeiros dormem de dia.
Todos os versos são linhas de fuga.
As horas felizes passam num instante porque se riem do
tempo.

Luis N.
em minguante

amor de mãe,
angola '69 ?

fachadas

gosto de criar personagens. gostava de conseguir ser forte para as suportar. encarno inconscientemente personagens. como as que vivo no dia a dia, entre as ruas que sobem e as ruas que descem, as ruas planas. como as fachadas dos prédios. sou de vários tempos, caras diferentes. procuro o que não é igual em pessoas diferentes. com umas pessoas sou crescida, com outras sou criança. a alguns protejo, de outros preciso de urgente protecção.

sou tão eu em todas as caras e sou de tantas maneiras diferentes.

será defesa? ser assim assusta-me numa infiel amizade à minha alma.

15.6.07


"Amar não acaba. É como se o mundo
estivesse à minha espera. E eu vou ao
encontro do que me espera."


Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo

Encosta-te a mim

"Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim."


Jorge Palma,
"Encosta-te a mim"
in "Voo Nocturno" (ansiosa por ouvi-lo.)

ser volúvel

espero-te
no desassossego dos meus dias
ainda

nas esquinas que perdemos
pelas horas, infinitas ilusões

de exagerados
amores
de tudo o que, ingénuos, percorremos

14.6.07

querer ficar
ser amada
ficar a querer
amar
ser querida
querer
ficar a amar
querer ser
querer amar
ficar a ser
amar
querer ficar
ficar

13.6.07

a mergulhar (nos)

um dia gostava que sentisses
que o fado não é triste,
que o fado pode ser tão feliz,
é um viver intenso, no avesso da pele.

(nesse dia vais conhecer-me tão melhor)

12.6.07

em dia de santos! :)

a luz de lisboa


"quando lisboa escurece
e devagar adormece
acorda a luz que me guia
olho a cidade e parece
que é de tarde que amanhece
que em lisboa é sempre dia

cidade sobrevivente
de um futuro sempre ausente
de um passado agreste e mudo
quanto mais te enches de gente
mais te tornas transparente
mais te redimes de tudo

acordas-me adormecendo
e dos sonhos que vais tendo
faço a minha realidade.
e é de noite que eu acendo
a luz do dia que aprendo
com a tua claridade."


Manuela Freitas

querida revista maria:

apanhei a minha mãe a ver -atentamente- desenhos animados.

será que estou grávida?

perder-te

é perder o rumo, é perder um braço, uma perna. é não saber as horas, nem os dias.
é perder a vontade. o sentido. a alegria.
é deixar de te ter. é doer.
é voltar atrás. é ser tarde e é chorar, não ser capaz.
é perder a razão. perder o futuro na mão.
é não saber sorrir. não saber viver. sentir o vazio do que foi cheio. é partir.
é morrer de dor. de amor.
sem nós, em nós.
é ser feliz por te ter tido. feliz. feliz.
perder-te é perder-me de mim
para depois me encontrar.

11.6.07

nova cara.

hoje tem a cara da minha paixão: lisboa.

depois vou mudando conforme as vontades.
um dia ainda hei-de conseguir fazer um blog mais ou menos como quero!
mas enquanto esse dia não chega e a ignoranciósfera persiste,
ca está o velho blog com uma nova cara, mai bonita (pois é?)!

todos os lugares mais crescidos, como eu.

deito-me no chão
frio, gelado.
devolvo-me à alma:
encontro-te.
percorro-te.

vejo-te.

beijo-te.
imagino-te:

estás dentro de mim.

10.6.07

9.6.07




a pipa quer esta relíquia!

moçambique?? :)


8.6.07

esta semana, só para a carneirada:

Amor – Um novo ciclo iniciou para si, e com ele uma nova vitalidade e capacidade de estar consigo e com os outros. Esta é sem dúvida uma semana cheia de beleza e boa disposição interior. A energia que está ao seu dispor vai-se manifestar em todas as áreas da vida, pelo que deverá aproveitar para alargar os horizontes e contactar com novas pessoas. A abertura ao amor e à paixão vai depender mais de si do que do outro. É você que vai ditar as regras e vai escolher se quer ir por este ou aquele caminho. (que BOAS NOTICIAS!)

Trabalho e Dinheiro – Senhor de um grande optimismo e autoconfiança, esta é uma face em que poderá dar importantes passos na sua carreira. Deverá, no entanto, moderar a sua autoconfiança para não atropelar as opiniões e vontades dos outros. Lembre-se que poderá atingir o que deseja na sua actividade profissional, sem ser necessário diminuir as outras pessoas, ou desvalorizar as opiniões delas. O seu carisma pessoal vai estar aumentado durante todo este período.

Saúde e Bem-estar – Vitalidade e dinamismo não lhe vão faltar durante esta fase. Poderá mesmo sentir necessidade de fazer exercício físico para escoar a energia. Procure cuidar do seu corpo e principalmente da sua coluna com exercícios de alongamentos.

à ana

um abraço infinito e apertado de amizade.

(gosto tanto de ti.)

se juntares a tua solidão à minha, ficamos com uma solidão ainda maior



isto:

... "É uma peça sobre a inércia, sobre a cobardia, o medo, a auto-ilusão" (José Luis Peixoto)


... e é o melhor que se faz em portugal. a peça é fabulosa. os actores são os melhores. o cenário é óptimo, o texto tem a magia dos textos do José Luis Peixoto, desta vez mais trabalhado especificamente para cada personagem, quase mais fácil e mais dado, menos solitário. a história é uma constante de metáforas à vida, com altos e baixos e altos e baixos. é cómico e é dramático. faz-nos rir a chorar, chorar a rir. o timing de tudo acontecer é perfeito.
tudo muito bem pensado, muito bem montado, muito bem interpretado, muito bem acabado.
(no S.Luiz)

5.6.07

não sei se crescer é errar com consciência, e sei que quando erro cresço mais um bocadinho.
sei que há partes da minha vida que são independentes das minhas vontades.
não sei lidar com isso.
sei que fazer planos é tempo de vida perdido, é um tempo que é só de sonhar.
não sei se algum dia me vou conformar com uma derrota e sei que sou tão carneira por isso.
sei o que preciso sentir, não sei o que quero sentir.
não sei parar de querer.
sei que sou obstinada e não desisto.
não sei se é bom ser-se obstinado, não sei se é bom não saber desistir.
sei o quanto sou grata a quem me ensina a viver, a não errar
(não sei se sabes que não te quero perder!)
sei que preciso não ter medo da solidão
não sei se é só isso que me falta agora.

"Era assim:

queres?

queres algo?

queres desejar?

desejas querer?

desejas-me?

desejas querer-me?

queres desejar-me?

queres querer-me?

queres que te deseje?

desejas que te queira?

queres que te queira?

quanto me
queres?

quanto me
desejas?

ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres..."


Ana Hatherly
"Um calculador de improbabilidades"
Quimera2001

3.6.07

Enroscada


Por ser lua, sinto mais sua falta à noite
Quando o frio desce e o poema se tece
A garganta arranha e a saudade entranha
Sente-se um nó por estar-se só
O rosto queima, a palavra teima
Em rimar amor com cor ou flor
Bate o correr de quem se afoga ou se joga
Em água de rio ou desvairio
Por ser sol, clareia a lua
De preferência, enroscada e nua.

Claudio André Gomes
in “Particularmente bonita”

1.6.07

(boa sorte.)



















estás a ser operada agora
e eu estou para aqui a pensar em ti


zica maria!

31.5.07

gotan project.


nouvelle vague.


cool jazz fest «de 30 de junho a 22 de julho»


"(...) dá-me uma mão a mim e a outra a tudo que existe.
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
saltando e cantando, e rindo, e gozando
o nosso segredo comum que é o de saber por toda parte
que não há mistério no mundo e que tudo vale a pena. (...)"

Alberto Caeiro

30.5.07

eheh!

ontem pus uma nova coisa-croma-demais a funcionar neste blog (roubei dos primos da paula!), é uma espécie de mapa mundo (está por aí algures na barra da direita) a dizer de onde me visitam!
isto é giro!
gonçalo, és tu a pintinha encarnada no norte da bota de itália, certo? :) (tenho saudades tuas)
quem será a bolinha do brasil?

revelem-se! :)

29.5.07

terra.

quando escreveste o conto eu era ainda mais pequenina. tinha acabado de perder a minha avó e com ela uma parte importante da minha infância e do meu crescimento. dedico-o eu a ela. porque é segura a memória inquieta com que a trago. ainda a choro nas noites frageis. ao ler-te, vem-me à lembrança as suas mãos ternas, as que me agarravam a alma como ninguém nunca fará, as mãos que me construíam e juntavam os pedaços dispersos de uma adolescência firme a existir por baixo do que cresço nos dias (as mãos que me ensinaram a vida, são os meus pés no chão, raízes na terra). e que me educavam. e choro o chorou que afinal não secou, que não é passagem do tempo tempo devagar e lento, como pensei.

(habituei-me à sua ausência, choro a sua falta.)

obrigada Jorge, por (de certa maneira e em mim) imortalizares alguém que, desconhecida do mundo, foi a mulher mais forte, a pessoa com o maior coração que conheci nesta minha vida.

25.5.07

diário

se tivesse um diário, daqueles de criança, com cadeados e tudo, hoje escrevia-lhe:

"não sei se o que me preenche hoje é a vontade do passado a existir nas coisas certas boas quentes abraços, ou um medo que fere de um futuro de planos incertos cheios intensos, de cheiros e marcas.

ou se afinal tudo isto são, como diz margaret, "os dois lados de um sentimento só".

descubro que a solidão me assusta, descubro-me fragil e inconstante, sem certezas de nada.
procuro ajuda dentro de mim.

hoje há Dave Mathews, e como normalmente quando as expectativas são poucas, acabamos surpreendidos, esperam-se BOAS surpresas!

despeço-me de ti com uma frase de José Tolentino Mendonça:

"os breves dias são tão longos quando imaginamos imagens felizes",

é so isto. não é? imagens felizes.

ate logo."

23.5.07

dias úteis

"Dias úteis

às vezes pretextos fúteis

pra encontrar felicidades

no percurso de um só dia

Dias úteis

são tão frágeis, as verdades

que se rompem com a aurora

quem as não remendaria?

Dias úteis

mesmo se a dor nos fizer frente

a alegria é de repente

transparente

quem a não receberia?

Mesmo por pretextos fúteis

a alegria é o que nos torna

os dias úteis

Dias raros

aqueles que por amparos

do bom senso e da imprudência

fazem os prazeres do dia

Dias raros

como os ares, Rarefeitos

amores mais do que perfeitos

quem os recomendaria?

Dias raros

em que os mais dados às rotinas

ouvem sinos, seguem sinas

cristalinas

quem as não perseguiria?

Por motivos talvez claros

o prazer é o que nos torna

os dias raros

Por pretextos talvez fúteis

a alegria é o que nos torna

os dias úteis

Por motivos talvez claros

o prazer é o que nos torna

os dias raros

Por pretextos talvez fúteis

por motivos talvez claros"

Sérgio Godinho

22.5.07

7:40 a.m.

Organics: "cabelos louros ou claros com saudades do sol?"
R: sim!

19.5.07

(...)

hoje um amigo dizia-me: "nunca se deixa de amar"

apanhou-me de surpresa. sem resposta. fiquei a pensar nisso.

(...)

(to be continued...)

difícil

amar
dizer adeus
cortar os laços
escolher
ter medo
entregar
partilhar
ter certezas
ser "maya"
fazer planos
ser seguro
segurar a tempo inteiro
ter certezas dos dias
não fugir quando doi
encarar
lutar
ser feliz
ser autêntico
não pensar
confiar
crescer
ser frágil
perder
a força
a dor
amar

(o que não é dificil não é inteiro,
não preenche o dentro inteiro de nós.)

ao som de emiliana torrini

penso: se nos entregarmos aos outros, se os conhecermos, metade do que nos entregamos, conhecemos, a nós, seremos tão mais felizes!

15.5.07

Repeating- olhares

"falávamos de olhares. sabes que tens um olhar que fala mais do que tudo o que dizes por fora?

nem sempre precisamos conhecer bem as vidas de cada um para lhes saber a ordem dos gestos , o sorriso das palavras que saem, e as outras que só os olhos dizem sinceros tantas vezes. é aquilo que mais gosto nas conversas, o espaço aberto e curto que fica entre as palavras. o olhar. o movimento dos sons de nós em silêncios inteiros e nús... quando somos puros e não somos nada, entregues à sorte e aos olhos que nos encontram por dentro. acontece às vezes não conseguirmos ouvir os outros e eles não nos ouvirem a nós, estamos a ter uma conversa muito mais importante cá em cima, onde os olhos são a razão e a força, tudo o que existe. conversas onde as palavras perdem toda a importância e o que sobra são os olhos à procura dos olhos lá por dentro do dentro das nossas coisas, almas, sei la... nessas partes há um olhar que diz as palavras certas que queremos ouvir, e rouba-lo é um dos maiores tesouros. fica a sobrar o gesto, o instante, na memoria, para sempre."

daqui, em
15.5.05

(sinto saudades dos dias de chão inteiro, de quando me sentia amparada, segura, desmedidamente feliz)

11.5.07

tardes de moínho!

este ano os dias mais
quentes

são passados aqui



7.5.07

scary freedom

....

Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

(in the same music)

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

Antony and the Johnsons

3.5.07

fico só a olhar- é como se quando olhássemos assim o tempo parasse em segundos nos nossos corpos. na nossa cidade. fico só a olhar devagar. tenho duvidas por dentro, nunca sei bem responder-me às coisas que me pergunto, porque me pergunto e não sei responder. (se me voltas?) fico a olhar só, como se ao olhar me respondesses por instantes nas dúvidas todas de sempre.

22.4.07

o fado.

há qualquer coisa no fado de lisboa que me esmaga. penso: é a cidade que me traz memórias de mim criança pequena, de quem vem comigo por dentro? sou eu, criança intacta na memória, que levo comigo o cheiro da cidade nas esquinas de lisboa, nas esquinas do que sou, do que fui, de quem me fez?

saudades suas. lisboa é um fado em mim, quando me perco de si.

14.4.07

isto é aquilo que me mentalizo todos os dias, consciente ou inconscientemente, para que seja mais fácil ser feliz:

"A felicidade é termos tudo o que nos importa e não nos importarmos com nada do que não temos."

(do João)

Haverá luz Sugada no escuro? Será calor O murmúrio do frio? Terá amor O avesso da vida? Haverá sonhos No fundo da dor? Serão gritos Os cais do silêncio? Será coragem A tremura do medo? Haverá chuva Que lave este sangue E deixe que a terra acalme Devagar Esquece o medo Sai do escuro Abre comportas Deixa gritar Vai mais fundo Persegue o mar Persegue o mar Será só A vertigem do abismo? Será mordaça A leveza do pó? Haverá negro Sugado na luz?
Haverá longe Por dentro de nós?

Ando sobre Uma aresta de gelo Na vertigem De um trapézio de fogo Mas canta-me um pouco Na tempestade E deixa que a terra acalme Devagar Esquece o medo Sai do escuro Abre comportas Deixa gritar Vai mais fundo Persegue o mar
Persegue o mar.

(Vertigem, Mafalda Veiga )

12.4.07

(vida fictícia.)
e por todo o mal me inspiras. andamos descalços, chão sujo, ruas sujas. apetece-me beijar-te. senta-te aqui, quero-te no meu ninho, refazer a vida, ter-te por onde olhar, sentir o perfume de longe e saber-te. andamos a pé matamos a cidade, ruas sujas. boémias. mitras. o céu escuro e a noite escura e as luzes escuras, fazem-me tanto querer-te devagar. é como a noite que cai no chão onde nos sentamos, sem o tempo. não sei em que ruas te procuro. vagueio. a pé. descalça. na noite. escura. onde me aproximo de ti, estas dentro de mim nestes dias. leio: -'Amar é uma entrega difícil de controlar... O controlo pelo descontrolo. No amor não há lógica, não há regra. Há sim entrega. Alegria e sofrimento. O amor é fudido!'- voo, inspiro, vida.

11.4.07

n me canso de ti.

Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luis Peixoto

9.4.07

um dia. vou sentir esse abraço ser meu. outra vez. e mais do que sempre. outra vez.
um dia. vou ser aquilo que procuras. a outra parte. de ti.

um dia. vou querer segurar-te enquanto voas. sem te deixar cair. e querer-te mais.
um dia. vou sonhar-te como hoje. e mais ainda. vou pertencer-te. mais do que agora.
um dia. vou deixar-me ficar no teu colo. um dia mais. e tu vais querer tanto tudo de mim.
um dia. sentir e ser e querer e sonhar e ficar, vão ser sempre. e nós. e tu. e eu. sempre.


8.4.07

uh uh yeah yeah, so com o remix dos buraka som sistema, isso sim.

Re: Valle

"Medes a vida pelo número de vezes que já respiraste ou pelo número de vezes que ja te tiraram a respiração?"

não costumo "medir" assim a vida, por isso não consigo responder directamente, mas estive a pensar nisso... percebo a pergunta, a comparação da importância entre aquilo que é nosso e aquilo que é dos outros em nós.
acho que é importante demais o que absorvemos dos outros, de quem nos dá coisas a saber que dá, de quem nos dá sem saber, de quem queremos receber, dos devaneios que temos onde recebemos coisas do mundo inconsciente, tudo o que absorvemos do que está à nossa volta é a nossa vida. somos feitos dos outros. e por isso o número de vezes que me tiram a respiração, aquelas vezes em que deixo de ter controlo sobre os meus passos e me deixo levar por uma força exterior a mim, essas vezes, são importantes, mas andam a par e passo com as vezes em que respiro, porque isso sou eu a viver, o dia a dia dos dias. e os dias pouco importantes não são aquilo que nos constroi, aquilo que faz os dias importantes serem assim?

há uns tempos pensava que quando iamos "visitar" a memória, ou seja, aquela altura em que "medimos o número de vezes que respiramos" , só restassem nas lembranças as coisas muito boas e as coisas muito más (o que vivemos com a intensidade suficiente para nunca mais se apagar cá de dentro). agora sinto que há mais do que isso, descobri que acima de tudo, anda de braço dado com a imaginação, com o que não existiu. "a poética do espaço" fez-me encontrar este lado da memória onde acabamos por confundir o que é realidade e o que é sonho e devaneio. e na memória guardam-se também os dias que não vivemos. e os que vivemos sem saber. e os cheiros e os sabores e os sons que não sabemos que guardamos. nunca vos aconteceu cheirar um cheiro, ouvir um som, sentir um sabor, que vos leva para um lugar que vocês já não imaginavam existir na memória, onde quer que ela viva, no sotão da alma?!

é por isso que acho importantes os dias todos em que "só" respiramos, para além de serem o nosso "sumo", guardam neles memórias que vamos descobrindo enquanto vivemos outros dias diferentes desses dias normais. e depois, quando nos "tiram a respiração", a memória fragmenta-se, abre buracos, faz mossas, esses dias são normalmente vividos com outro tempo diferente, tão depressa ou tão devagar, tão bom ou tão mau, tantas vezes são os que preechem as nossas histórias com as cores que queremos pintar. os outros, são o fundo, o cenário, as cores que a vida nos pinta nos dias onde existimos outra vez.

7.4.07

modernices!

ha coisas em que sou conservadora na vida, uma delas é no gosto dos nomes! não gosto dos "novos" nomes. faz-me lembrar uma coisa que falava com a maria uma vez, num dos meus posts antigos, onde comentavamos o que seria da "bolacha maria" ou do "banho-maria" transformados em "bolacha marlene" ou "banho-vanessa"?

pois!

"és uma tânia vai com as outras!" ou... uma "tatiana-rapaz" ou ainda... "deves pensar que isto é o da soraia (ou o da bruna?)"

não dá, não têm a musicalidade dos antigos... pois não?...

4.4.07

ao som de rodrigo leão. azul profundo!

Find a way and clear my soul
Driving out to get my goal
God knows I cannot stand
It's time to say goodbye
You don't know, you should have known
the pain I feel inside
So, I was dreaming of you
I was falling with you
and broke my heart
So, I was falling for you
I was dreaming with you
and broke my heart
Find a way and clear my soul
Driving out to get my goal
You don't know, you should've known
the pain I feel inside
God knows I cannot stand
It's time to say goodbye
Find a way to ease my breath
on and on to fill my chest
I can't stay, I cannot stay
cause only tears remain
I can't hide, I cannot fight
and play this crying game
So, I was dreaming of you
I was falling with you
and broke my heart

16.3.07

ando com sede de viver

13.3.07

negócios!

estava agora à procura de um caderno velho onde começar a escrever uns rascunhos e palavras soltas para a tese (esta coisa de ser "arquitecta" não dá espaço para cadernos de linhas nas gavetas da secretária!), encontrei tudo menos um caderno. canetas, desenhos, frases, xactos, reguas, canetas, estojos velhinhos, reguas, colas, e.....

um caderninho com um desenho da janica na capa!!!

se tenho lido mil coisas sobre imagens poéticas e as nossas percepções do espaço que nos rodeia, tenho pensado bastante nos nossos lugares cá dentro, porque está tudo tão relacionado. penso nos espaços onde guardamos as memórias. aqueles onde vamos tocar quando alguma imagem nos surge do acaso e nos traz mil histórias e cheiros e sabores.
li imensas vezes as declaraçoes de amizade que lá estão escritas (sim sim, festinhas na auto estima!) umas sentidas, outras movidas pelo alcool, outras de braga, outras que são desenhos, fotos, bilhetes... e encontrei lá dentro, não sei vindo de que parte, um autografo do andré sardet (what...? estaria bebeda?...),
pensei: "será que já vale imenso dinheiro ou esperava o próximo round???"



5.3.07

"Toda a obra de um homem, seja em literatura, música, pintura, arquitectura ou em qualquer outra coisa, é sempre um auto-retrato; e quanto mais ele se tentar esconder, mais o seu carácter se revelará, contra a sua vontade"

Samuel Butler

1.3.07

quente.
angustiante.
bom.
impaciente.
saboroso.
desejoso.
terno.
afectuoso.
feito de chão e de ar:
de vontade.

há sentimentos que valem, por si só, sem ser preciso dizer mais do que palavras soltas, se terem nome próprio,

ou nada.

27.2.07

25.2.07

o senhor do adeus!


não é que o senhor do adeus....
...também está no hi5!
...também vai ao cinema ao domingo à noite no corte inglês!
...também bebe o seu cafezinho! (que queridooo!!)
tio joão, se me estiver a ler, apareça mais vezes, gostamos de si, não há quem não se lembre do senhor em toda a lisboa inteira!!
adeeeeheeeus! :)

12.2.07

os dias.

este texto, que não é meu, fez-me ir lembrando da parte imateriável de alguns sonhos que tenho, que são sensações, temperaturas, sabores, cheiros, olhares, sentimentos, o tempo devagar dos dias, bons.

"Gostarmos de trovoada e assistirmos a tempestades deitados de barriga para cima e braços abertos. No chão da sala, em silêncio, de mãos dadas. Às escuras (as velas num canto a tremeluzir, enquanto a chuva bate grossa nas janelas).

Um bom filme, a manta mais quente, Salada de Rucola com Parmesão , Spaggetti "al dente" com Tomate Fresco sem sair do sofá.

Uma garrafa de vinho tinto ao pé da lareira.

Um resumo do dia, o silêncio confortável do amor. Um ataque de riso cúmplice. Os teus discos,os meus livros.Os teus olhos.

Os projectos: ir a Nova Iorque só para namorar em Central Park, como no cinema. Passear em Park Avenue e fingir que se pode comprar tudo. Cair no "Blue Note " e acreditar que aquele saxofone, está de facto, a chorar. Andar muito de táxi, quase tanto como a pé. Assistir a uma missa com coro de "Gospel " no Bronx. A casa com a sala de parede de vidro, com vista para o jardim ( com chão de carvalho onde, juntos, nos podemos deitar a ouvir a trovoada).

A certeza dos beijos e dos abraços e da procura constante do corpo um do outro para adormecer ( ou para apaziguar um pesadelo porque a vida tem tantos).

Croissants com chocolate às 6 da manhã porque a conversa é urgente, tão urgente, e no Sábado podemos dormir a manhã toda ( e depois, sair de casa para almoçar peixe saídinho do mar, daquela mesma praia ).

Voltar a casa.( Nunca mais vais estar sozinho ).

Troveja outra vez. Hoje apetece - me chocolates ( e eles aparecem ). E apetece -me adormecer a ouvir as tuas histórias.

Era isto."


daqui.

1.2.07

"eu sou mãe".

iamos para casa, a minha mãe conduzia-me (fez a marginal muito mais vezes nos ultimos dias do que em toda a vida). andei sem cabeça alguns dias, e conduzir exige um estar presente que eu não estava. dizia-me: é nestas alturas que vemos os amigos que temos. o telefone tocava e tocava. e dizia-me: "eu sou mãe", como se isso me explicasse mais do que o que eu já sei sobre o amor que sente por mim. o telefone tocava e eram amigos da minha mãe e eram amigos meus a saber se correu bem. e correu, obrigada. senti o "buraco negro no tempo", que a maria falava, de uma anestesia estranha, vazia, fria, funda, incontrolável, inatingivel, nada. e não senti quase nada de dor, só medo. voltávamos para casa. agora é comemorar! eu estou bem mãe, agora vai ficar tudo bem. mas "eu sou mãe".

30.1.07

o invisivel.

“(...) Podemos dizer que o amor pelas imagens nos inicia no paradoxal labirinto do invisível, quer dizer, naquilo que nunca será imagem. É bom saber que a ânsia de ver pressente as suas fronteiras.”

João Lopes, Entre as Imagens, 6ª, Diário de Notícias,
19.1.2007

21.12.06

"não há mai nada!"

(para se ler com a entoação da senhora idosa do anúncio do rouxinol faduncho)


20.12.06

19.12.06

livros de cabeceira:

alegoria do património, françoise choay;
não-lugares, marc augé;
elogio da sombra, junichiro tanizaki;
o culto da arte em portugal, ramalho ortigão;
arquitectura: escolha ou fatalidade, léon krier;

cemitério dos pianos, josé luís peixoto

nunca li tanto e tanta coisa ao mesmo tempo como tem acontecido este ano. tenho um monte de livros na cabeceira que todos os dias crece mais uns centimetros, uns porque tem de ser, outros porque é bom tê-los por perto, outros porque simplesmente me viciam. e a sensação de querer lê-los todos e não ter tempo para isso. a novidade de estar a acabar um curso é a pressa de receber toda a informação que não recebemos em todos os anos que passámos, à espera que passassem rápido para chegar ao fim.
e quando se está finalmente a acabar, quer-se que o tempo se demore lá de onde ele vem, porque afinal "até" é bom aprender e há tanta coisa sobre tudo, que não sei nada.

17.12.06

de ti.

despedir-me de ti é quase como arrancar um pedaço cá de dentro, e fica a doer durante a noite toda e o dia todo e a vida toda dos dias todos a seguir.
(choro sempre como se fosse a primeira, a segunda, a terceira... a última vez)

13.12.06

jehro é bom

23.10.06

"(...)quero ser eu, e sem deixar de o ser, ser também os outros, embrenhar-me na totalidade das coisas visíveis e invisíveis, espraiar-me no ilimitado do espaço e prolongar-me no infindável do tempo"

Miguel de Unamuno

2.10.06



um dia destes comecei a fazer este tipo de colares e pregadeiras e tive boas respostas, houve ate quem adorasse! ;)
decidi vender, e pôr aqui no blog talvez ajude! para quem estiver interessado, aceitam-se encomendas, peças personalizadas e feitas à medida, esse tipo de coisas, emailem-me para filipaaantunes@clix.pt!

23.9.06

PERFIL
Gosto de ti como duma fotografia.
Amo as paisagens porque são
o foco onde o teu corpo se ilumina.
És a manhã deitada de perfil.
Perspectiva onde a minha vida
ganha forma e se fixa, de repente.

Albano Martins

15.8.06

...um instante na memória de chegares é mais valioso do que jardins, do que montanhas, do que anos de tempo.

José Luís Peixoto

in "Uma casa na escuridão"

1.8.06

anda cá

anda cá.
porquê?
anda cá, dá-me um abraço.
dá-me uma razão para ir.
é preciso?
é.
hoje enquanto dormias, olhava-te e sonhava-nos, foi a melhor viagem de sempre.
anda cá.

31.7.06

(continuação)...

quando se aproximam acabam sempre por se ferirem, não conseguem evitar, não fazem por mal só que não conseguem fazer de outra maneira

(li nalgum lugar, qualquer coisa assim)

As pessoas são como o porco-espinho...

29.7.06

s.o.s.

o nosso país funciona assim, mandam-nos de um lado para o outro e ninguem sabe de nada. fui com uma amiga e um amigo dela dar sangue ao ipo ha uns tempos, como ja esperava não me deixaram, mandaram-me para o hospital d.estefania porque com o meu peso tinha de ser lá e tal. chegando la ninguem sabia que historia era essa de poder dar la com o meu peso, simplesmente não posso dar sangue com menos de 50 kg e ponto final. não consegui, senti-me frustrada porque tinha criado algumas espectativas (a mim, e à senhora do serviço de sangue, que tinha cara de quem não vê gente a entrar por aquela porta com muita frequência), não sou forte o suficiente para renovar o meu sangue e dar a quem precisa! não deve ser bem assim mas enfim... no dia em que pesar mais uns quilinhos acho que vou ficar feliz por essa unica razão: finalmente poder dar sangue que é tão preciso nos nossos hospitais!

Boa viagem a quem se vai fazer ao caminho para cabo verde amanha, à procura de ajudar quem precisa!

26.7.06

cheiro



cheiro. de escrever o teu nome numa árvore
e nela te procurar a alma por dentro de todas as coisas.
e falar com uma arvore como se fosse alguem!
sentada no chão da terra a sentir nas mãos
de olhos fechados, a minha voz.
tenho esta imagem de vontade.
apetecia-me 21 dias debaixo de uma arvore
em jejum feita mikao ussui ou simplesmente
um campo para correr de braços abertos
em pleno verão.
talvez seja por sentir falta deste cheiro.
qualquer coisa amarela com sabor a fim de tarde
e cor de maçã, das encarnadas. e campo.
e solidão. e voltar a essa arvore noutro dia quente
e descobrir as cumplicidades tatuadas
naquele chão, naquela casca, naquele chão, naquele cheiro.

boas férias! :)

20.7.06

"Ela gostava de fios. Fios tecidos sem dizer. Invisíveis. Às vezes visíveis. Fios de seda. Ou algodão. Fios como riscos em folhas brancas. Ou gotas de chuva que escorrem no vidro. Fios de desejo. Ou de saudade. Fio de prumo. E do horizonte. Um fio de lã vermelha a percorrer um livro. Um fio de água a matar-lhe a sede. O fio de Ariadne. O fio de uma vida inteira. No fio da navalha. E a vida dela por um fio..."

Abel

9.7.06

se eu me apaixonasse por ti e se soubesse desenhar todos os pontos que te fazem, se eu soubesse amar-te e se conseguisse descobrir-te no meio de qualquer lugar, se fosses tu a luz dos meus dias e se por te ter fosse sempre verão na vida ao acordar, se eu ficasse vazia ca dentro cada vez que dissesses adeus e se eu soubesse de cor o sorriso que fazes quando acordas, e o teu cheiro, e o teu cheiro nas coisas todas todas de mim, se eu sentisse o teu toque de olhos fechados e quando me tocasses fosses o que resta no mundo, se eu morresse devagar por te perder...

17.5.06

dias

tenho sono. já é tarde. tenho ideias e tenho preguiça de as trazer ca para fora. as horas passam e eu fico. ha uns dias senti-me velha, gosto de me sentir criança. tenho ido a aniversarios imensos e parabéns a todos os amigos que fazem anos neste mês concorrido. hoje é a teresa lá da turma. trabalho para ganhar dinheiro enquanto um policia me bloqueia o carro. sinto vontade de viver noutro país que não portugal. trouxe barcelona ca dentro e deixei-me aos pedaços pelas ruas cruzadas cruzadas de cerdá, e fiz 22 anos que já é idade de merecer um determinado respeito. sinto vontades. tenho um tapete parecido com o do alladin mas em azul, que o meu irmão me trouxe da india. a ana comoveu-me. e as palavras do mário também. sinto falta de coisas que me preencham os dias de maneiras mais quentes. mas sou feliz. levo a minha mae à praia e vou para as aulas marcar presenças. de vez em quando algumas coisas fazem sentido. viver em arvores? volumes que sobrevoam o espaço e enchem o vazio de buracos ao contrario no ar. nascem das arvores e amarram-se a elas. gente louca nas prisões de s.paulo. fitas por escrever. quero viajar. e ouvi dizer que "quero" é a palavra associada ao meu signo. saudades de mim a fazer algum voluntariado. e tenho sono.

12.5.06

custou-me muito ouvir-te chorar amiga. e não ter as palavras certas para te fazer o bem que precisas! tão dificil confortar o vazio da partida!
sabes, tb hoje me apetece chorar ca por dentro. são dias assim, são dores assim que nos fazem saber ser fortes. quero que saibas por palavas escritas universais, como ja te disse o grande orgulho que tenho em ti. es a pessoa mais forte que eu conheço, resistente, tambem.

3.4.06

parte de mim

Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres
Assim,
O meu corpo é o teu mundo,
Um beijo um segundo,
E és parte de mim.
Para onde olhares
Eu corro,
Se me faltares
Eu morro
Quando vieres,
Distante
Solto as amarras,
E tocam guitarras por ti como dantes.
Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui,
Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui.

2.4.06

1.4.06

alguém?

pois é, o meu blog está um bocado sem vida e isso não é mais do que o reflexo da minha própria realidade em altura de entregas de trabalhos! hunf!
enquanto isso no outro dia surgiram-me 2 dúvidas, a primeira é sobre o novo anuncio da Oni: afinal o que são umas púrpurinas?? (é capaz de fazer parte da minha adolescência e este nome de qualquer coisa entusiasmante me ter passado ao lado .....) a segunda dúvida é porque razão os tallhantes envergam uma farda igual à dos médicos, correndo o (grave) risco de serem confundidos na rua....alguém?!

15.3.06

este é sem dúvida...

.... o PIOR videoclip de sempre, o que me leva a crer que o senhor mitch realmente bateu com a cabeça em qualquer lado.... vejam isto

10.3.06

(soneca)

"se souberes onde queres chegar, chegas lá primeiro"

hoje li esta frase, que pertence a uma exposição de fotografia sobre a india que se encontra no centro de interpretação ambiental da ponta do sal em s.pedro do estoril. não entrei na exposição mas pareceu gira, talvez por ser da india e a india me atrair por razões desconhecidas.
mas a frase, faz tanto sentido em tanta coisa!
(incluindo no projecto que me faz estar a trabalhar por estas horas!)

8.3.06

Ali Farka Touré.


este senhor não conheci numa música mas sim num filme: residência espanhola. confesso que não conheço muito da sua biografia a não ser que teve 11 filhos, que era presidente de uma câmara de uma cidadezinha nas profundezas do Mali e que o mundo do espectaculo não era o que mais o atraía. comprei o album que gravou em parceria com Ry Cooder, "Talking Timbuktu" e, apesar dos sons se poderem tornar um bocadinho repetitivos, ouvi este cd até à exaustão. este senhor tocava guitarra como ninguém. é um estilo de música do mundo que é do mundo porque tem o dom de nos levar a milhares de lugares que estão por dentro de nós e que nem conhecemos ainda. como se fechassemos os olhos e fossemos levados por ali, para aquele lugar novo, perdido no cantinho de nós e que é tão grande porque nos transporta para onde quisermos ou para onde os nossos sonhos ainda nem inventaram.
tive pena de não o ter visto no verão passado, porque veio cá e foi a última vez. morreu ontem, segundo ouvi hoje na rádio. mas é da imortalidade dos grandes nomes que vive a nossa história, e a música tem essa vantagem de tornar imortal quem a faz.
(ao som de talking timbuktu!)

7.3.06

conheci-a por uma música da adriana calcanhotto (eu e meio povo de certeza!), na música falava de cores, de formas de vida, naquele estilo baralhado e limpo da adriana. as cores fizeram-me procurar a obra da Frida. passado uns tempos veio o filme e o filme marcou-me imenso. como se assumisse para mim as fridas da Frida. agora vou procurar naquelas telas pedaços de uma vida sofrida, marcados em cada traço das suas pinturas com as cores de dias felizes. vou procurar entrar no filme daquela vida e diluir-me nele por instantes.
a exposição da obra de Frida Kahlo para ver (-urgentemente-) no CCB.

uma frase que adoro na sua auto-biografia: "pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor"

"quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!" Nietszche

24.2.06

"Era o silêncio sobre a terra. O mundo estava preparado. No seu lugar, cada objecto esperava o início. O sol esperava. O mundo estava preparado e suspenso.

Ele e ela caminhavam na rua. Pensavam em qualquer coisa que não era nem a terra, nem o sol, nem julho. A rua ficou deserta quando se aproximaram. Esqueceram aquilo em que pensavam. E o lugar das ideias que tinham ficou vazio de tudo menos daquele instante igual, a divisão de um instante, um instante espetado dentro de um instante, o mesmo ponto de tempo em que olharam um para o outro. Dentro daquele momento, como dentro de toda a eternidade, aquele foi um ponto de tempo feito de terra e de sol e de julho. E o tamanho da terra entrou pelos seus passos. E o sol entrou pelos seus olhares. "

José Luís Peixoto, Antídoto, Aquilo que Invade os Homens

22.2.06

de comboio

ando com uma vontade imensa de....

...viajar por aí.

Novidades das últimas semanas:
O meu computador ficou pronto num instante, está optimo de saúde e estou satesfeitíssima com a eficácia da assistência técnica da HP.
As frequências acabaram. ufaaaaaaa!
Faltam saber duas notas mas as outras foram boas, tirando um zero a geografia. Paguei 30 euros (eu e mais 20 pessoas) à universidade lusíada para que esta nota fosse revista, sem que isso tivesse qualquer efeito. a professora tem uma personalidade engraçada que me disperta uma certa veia terrorista... distribui zeros a quem acha que desconfia que usou expressões iguais às da sebenta, sem sequer corrigir as frequências por completo.
Fui ver o "à manhã", a primeira peça escrita por José Luís Peixoto, e digo a primeira porque de certeza que não será a única. achei fabulosa, com pormenores espectaculares daquilo que é o nosso país por dentro, e sempre com aquilo que é do José Luís Peixoto a aparecer nas entrelinhas.
O sporting ressuscitou e acordou os adeptos meio adormecidos como eu! :)
Deve haver mais novidades... mas agora vou jantar porque o meu horário de faculdade não permite hora de almoço como gente grande e a pessoa fica com fome!

ah! adoro o anúncio da criança dos "porquês" sem fim à mãe, transporta-me à infância assim a grande velocidade. e adoro o novo videoclip do David Fonseca.

ah outra vez! a hora do meu blog está mal va-se la saber porquê. são 19h23m.

coisas de mãe na meia idade :)

(porque recebi este email da minha mãe, sobre as mulheres.)

SOMOS PERFEITAS!!!

Não ficamos carecas...

Temos um dia internacional...

Sentar de pernas fechadas não doi...

Podemos usar tanto rosa quanto azul...

Sabemos sempre que o filho é nosso...

Temos prioridade nos botes salva-vidas...

Não pagamos a conta. No máximo dividimos...

A programação da TV é 90% voltada para nós...

Somos os primeiros reféns a serem libertados...

A idade não atrapalha nosso desempenho
sexual...

Podemos ir para o trabalho de bermudas e sandálias...

Se somos enganadas, somos vitimas; se enganamos, eles são cornos...

Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas...

Somos capazes de prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo...

Mulher de embaixador é embaixatriz; marido de embaixadora não é nada...

Não nos desesperamos em frente a um campo de relva com 1 bola e 22 mulheres...

Somos monogâmicas (embora precisemos testar vários homens par achar um que valha a pena)...

Mulher de presidente é Primeira-Dama; marido de "presidenta" é um zero à esquerda, mesmo que ele seja de direita...

Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço, mesmo com 4 biliões de neurónios a menos, ou seja, nossos neurónios são mais eficientes.

Se resolvemos exercer profissões predominantemente masculinas, somos ''pioneiras", mas se um homem resolve exercer uma profissão tipicamente feminina, é bicha...

E por último: Fazemos tudo o que um homem faz, e de SALTO ALTO!


enfim, SOMOS UM SHOW!!!!!!!

2.2.06

ate já

Caros amigos, este blog tem sido alvo de algum descuido por parte da minha pessoa, devido ao facto de andar em exames/ entregas e o tempo escassear, aliado à doença que afectou o meu portatil. Pois é, com 1 ano de vida e já se encontra a querer falecer. Como eu até cuido bem dele, antes que faleça de vez vai já ser internado na HP. e este é um adeus provisório do bichinho, para a semana estará de voltar ao meu lar, esperemos que de boa saúde. :)
até lá, bons exames, bons trabalhos, bons teatros, bons filmes, boas vidas!!

19.1.06

ja taaaa ;) obrigada janica- para quando um filmezinho com pipocase tudo? :D

mas alguem me sabe explicar por ventura porque é que as coisas que deveriam estar ali
---------------------------------->

estão ali
I
I

I
I
I

I
I
I
I- ->

13.1.06

há lugares que são abraços...



...e este vai ser de certeza um deles! ;)

"ao som da chuva"


para ti que fazes os meus dias azuis azuis da cor do mar do mar azul do céu das tardes do inverno dos dias azuis em que me sinto cheia. para ti que me embalas num abraço que não acaba e acaba por dentro porque o lugar dos sonhos está cá dentro de dentro de nós. só porque sim: obrigada.

(ao som da Chuva:
"Há gente que fica na história
da história da gente")

10.1.06

hoje aprendi outro pensamento:
"Tudo o que não se dá... Perde-se!"

(saudades de mim, assim quando não tenho tempo p ter tempo, para os outros.)

porque onde li esta frase li também a vontade de ajudar os outros.
tenho saudades desse tempo que se ganha e que faz os dias valerem ainda mais a pena! :)

3.1.06

pensamento do ano novo (para não fugir das massas):


fotografia de silvia antunes

-"o caminho faz-se andando".