horas felizes
O vento é a música de dança das árvores.
As chaminés não sabem que é feio apontar.
Os copos sentem-se vazios quando ninguém bebe por eles.
Os lápis são escritores inseguros.
As esferográficas são operárias especializadas.
Os agrafadores não gostam de ideias à solta.
Os bigodes são aprendizes de ventríloquos.
O rio queixou-se das margens por assédio sexual.
Fazer a barba é afinal desfazê-la.
O mar inspira e expira.
As rosas têm licença de uso e porte de arma.
Os candeeiros dormem de dia.
Todos os versos são linhas de fuga.
As horas felizes passam num instante porque se riem do
tempo.
Luis N.
em minguante