3.12.07

quero que o tempo passe a correr sobre mim, quero que seja ar, quero fechar os olhos e quando abrir ver tudo diferente, quero que o tempo passe nas coisas que mudam.
o tempo que páre e estagne sobre nós num abraço.
há qualquer coisa na ópera que faz adivinhar em mim o calor quente do inverno frio. e tenho frio.

II

tenho-me descoberto em ti. e a tua ausência paira nos silêncios que construo, no mundo dos meus dias. a tua ausência sobrevive em tudo o que és, onde estás presente e és parte de mim. (e agora?) é suposto viver-te? não sei senão ser louca. faz de conta que não sei também o que é morrer de saudades. faz de conta que não preciso também de protecção, 'a ponto de não recear ser livre'. faz de conta que quero ser livre e ser livre de ti sem que me segures com uma mão e com a outra me dês a quase perfeita perfeição.