9.5.05

saudades



tenho umas saudades que não cabem bem ca dentro quando me lembro,
desta parte da minha vida...

instantes

Acordou para um dia luminoso, tão luminoso que o cegou para sempre. Isto digo eu, que sou um exagerado. Na verdade, apenas deixou de ver por um instante. Mas há instantes que duram uma eternidade.

Luís
Ene coisas
em "mil e uma pequenas histórias"

8.5.05

evoluí bastante de ontem para hoje...
já tenho alguns links, os básicos... e uma foto do meu olho, num dia de imeeeenso sol e boa vida...!!
tudo aqui ao lado :) -------------------------->

relax



entre ontem e hoje andei pelas 24 horas tmn feita inconsciente... esta é a imagem que trago de lá.
(re)descobri uma parte de nós (jovens malucos e rebeldes) que é super humana, super saudável, super compreensiva, amiga, "boa onda", tolerante, pacífica. encontrei paz no meio daquela confusão toda de gente, encontrei mais gente em alfa do que em qualquer outro concerto/festival que já tivesse ido. e é sempre assim. o reggae traz-nos essa parte boa do "relax", e já andava meia esquecida disso. tudo bem que as substâncias fumadas naquele recinto tinham um cheiro pouco convêncional... mas se é para se viver assim, naquela paz de espirito e boa onda, principalmente na não violência, que se fume à grande! sem exageros, claro... ;)
a organização estava óptima, a vista era demais a noite, não houve nenhum atraso nos concertos, o som é que não estava do melhor num dos palcos, mas enfim... ah e ficaram a faltar tendas com mais dinâmica, mais bares e mais sol. mas venham daí mais iniciativas destas, mesmo que com outro espírito, com outras sonoridades, faz falta à nossa cidade mais investimento nestas coisas!! vodafone?....

6.5.05

esta noite...

... dois sentimentos opostos.

primeiro: filhos da puta (desculpem-me o termo pouco académico, como diz o meu professor Reaes Pinto...) do pai e da avó daquela criança que morreu espancada na sua própria casa, pelos seus familiares mais chegados. é nestes casos que tenho a maior dificuldade em perdoar o ser humano. era 'só' uma criança, cheia do tempo todo pela frente, cheia dos sonhos e da vida, era só uma inocente, inocente, inocente das vidas podres dos 'mais velhos' mostrengos incompreensiveis. era só uma criança e morreu longe do abraço quente do amor. será que quem faz uma coisa destas deve ter o perdão lá de cima? um bocadinho de mim abraço-a por dentro naquele sorriso de criança inocente: devia ser sempre assim, o mundo inteiro resumido ao sorriso de uma criança.

segundo: o meu sporting... depois de um jogo que fez sofrer até ao fim, conseguimos. nunca acreditei tanto como tenho acreditado agora. este sporting tem aquilo que qualquer equipa de futebol precisa, força de vontade e garra até ao ultimo minuto. assim dá gosto, mesmo que não tivessemos passado à final, estaria orgulhosa na mesma, pelo bom espírito, pela força, coragem e dedicação. parabéns ao sporting!! e a nós com ele... :) a minha mãe já queria ir à final, inocente, será que ainda há uns bilhetinhos à nossa espera??

5.5.05

Donna Maria

...é bonito. hoje ouvi a versão do "estou além" de António Variações cantada pelos Donna Maria e achei fabulosa... lembro-me da Marisa cantar em varios coros de programas de televisão, participar em vários concursos para pequenos cantores, não sei bem, lembro-me da cara dela dessas coisas da minha geração... e fico feliz que finalmente tenha o sucesso e o bom trabalho que merecem todos os bons músicos do nosso país, principalmente aqueles que não desistem dos sonhos, por mais voltas dificeis que a vida dê! Fico ainda mais feliz por ter nascido mais uma banda portuguesa promissora de grandes sonoridades, originais e dinâmicas.
Só tenho pena de não os poder ir ver hoje ao Santiago Alquimista!
donna maria, fica a sugestão...

estou além!

"não consigo dominar
este estado de ansiedade
a pressa de chegar
pra não chegar tarde
não sei do que é que fujo
será desta solidao
mas porque é que eu recuso
a quem quer dar-me a mao

vou continuar a procurar
a quem eu me quero dar
porque até aqui eu só:
quero quem
quem eu nunca vi
porque eu so quero quem
quem não conheci
porque eu só quero quem
quem eu nunca vi

esta insatisfaçao
nao consigo compreender
sempre esta sensação
que estou a perder
tenho pressa de sair
quero sentir ao chegar
vontade de partir
p'ra outro lugar
vou continuar a procurar

o meu mundo
o meu lugar
porque até aqui eu só:
estou bem aonde não estou
porque eu só quero ir
aonde eu não vou
porque eu só estou bem
aonde não estou
porque eu só estou bem
aonde não estou"

António Variações

vida de estudante é assim....

adoro dormir a tarde (não quero mesmo nada fazer inveja a ninguém!! :P ate porque normalmente se faço siestas é porque houve noitada a trabalhar no dia anterior...), mas acontece-me sempre uma coisa fantástica: quando acordo lembro-me de milhares de sonhos que tive. e é optimo!! :)às vezes nem tenho sono e nem tenho tempo nenhum para dormir mas apetece-me ter uns sonhos malucos e conhecer o subconsciente, então já sei, durmo, 10 minutos chegam para dar a volta ao mundo, falar com gente que não vejo há anos, ou que nem conheço, viver coisas estranhas, ou normais e simplesmente boas... coisas que no dia a dia não tenho tempo/vontade/loucura... para viver, ter sol e férias, fazer projectos malucos que nunca me passariam pela cabeça conscientemente.... (nunca fui outra pessoa nos sonhos, mas gostava!) whatever, lembrar dos sonhos faz-nos conhecer(mo-nos) (n)a vida de uma maneira tão engraçada... sabe bem! e dormir à tarde é trigo limpo farinha amparo! sonhinhos que nem uns malucos, pão pão queijo queijo!

2.5.05

gostas?



quando a vida é essa estrada que te persegue a existires?
sem fim nem limite nem paralelas que se toquem como nos sonhos?
quando o que és é pressa feita de vida e estrada que te persegue enquanto corres alheio à estrada que pisas?

sem lugar nem dono?
só linhas e terra e chão.

e a vida a seguir a ti, a obrigar-te a ser: mais depressa do que és?

gostas?

1.5.05

este é para si... porque o dia também é seu.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

mãe



tenho os olhos precisos
não descansarão
enquanto houver luz
e a felicidade for mais que sonho

silvia chueire


obrigada,
pela vida.

30.4.05

existias de noite



Existias de noite como a letra de todo o movimento,
e das estrelas o céu pintado ao fundo,
e distraído às vezes confessava amar a tua pele
como quem quer dizer-te: não morras nunca mais.
Esta noite, outra noite,
esta manhã que nasce pelas frinchas
da janela pequena entreaberta,
por planaltos e vales caprichosos,
lagos azuis, ravinas e pinhais,
irei de vez em quanto perguntando
onde existes? onde estás?
António Franco Alexandre

28.4.05

fim do dia


minha' Alcatruz' Abril 2005


fim do dia que é fim do dia, é também por aqui que se passa...
naquele silêncio de mar e no abraço do calor a invadir-nos a pele por dentro até nos matar, de preguiça!...
sinto-me sempre bem neste lugar, há qualquer coisa minha nesta terra, neste mar.
neste cheiro.
neste fim do dia a lembrar outros e sempre outros...

27.4.05

É certo porque é impossível

Hoje fui a uma conferência de arquitectura. (Mais uma!) mas hoje era especial, porque era com a professora que me ensinou arquitectura, com a professora que me fez gostar da loucura do impossível, da loucura de projectar os sonhos mais audazes. que me ensinou que nas bases de todos os nossos projectos (sendo eles de arquitectura ou não) tem obrigatoriamente de existir um conceito, uma ideia forte que nos projecte e que nos faça fortes com ela. que me ensinou o que nem ela sabe que me ensinou, que me ensinou a olhar para as coisas de outra maneira; para a vida de outra maneira, e para mim de outra maneira. E a conferência até nem correu muito bem, a Mestra Arquitecta Sonia Silva estava nervosíssima até à ponta dos dedos. eu senti uma coisa estranha, e já me aconteceu isso noutras ocasiões. pessoas que gosto e que admiro, nervosas num palco. acontece que fico tremendamente nervosa por elas. como se fosse eu que estivesse ali. mas no meio de todo o nervosismo encontrei a arquitecta que me ensiou as coisas da arquitectura, a matéria e o vazio. Nem sempre aquilo que sabemos e todo o conhecimento que guardamos conseguimos comunicar aos outros da melhor maneira, e há dias mais difíceis.

O outro arquitecto que falou dos seus projectos foi o Arquitecto Ricardo Zuquete. Um dos mais "famosos" professores lá da faculdade. estranho ou não ele nem é muito "famoso" pelos seus projectos, repletos de conceitos repescados e interessantíssimos, mas sim por ser o primeiro professor, "aquele" professor que todos apanhamos quando ali entramos. Lembro-me vagamente das aulas dele no 1ºano, eram às 8h da manhã e por essa altura eu estava sempre meia a dormir e pouquissimo interessada nas conversas tão dinâmicas do professor sensação com os seus olhões azuis e a sua altura a fazer qualquer coisa como dois de mim.
Hoje foi diferente, passaram-se uns anos também, ouvi-o com muito mais motivação. (este post seria só para citar a frase que o fez abrir a conferência e já vai aqui...) O professor Zuquete abriu a conferência com uma frase que fez logo um link dentro de mim para todos estes anos por ali e para tudo o que já aprendi enquanto pessoa. lembrei-me do seu velho habito de levar desenhos de crianças e contos e fábulas e de nos fazer acreditar que o importante era não deixar que a criança cá de dentro adormecesse. a frase falava da impossibilidade das coisas. e de nós, seres imaginativos e capazes de tudo, não termos medo do impossivel, pelo contrário, sabermos conviver com ele lado a lado, na fronteira da loucura. Não me lembro da frase toda ao certo, mas lembro-me de ser uma resposta da Rainha Branca de Lewis Carroll (na Alice no País das Maravilhas) à Alice, quando a Alice diz "Uma pessoa não pode acreditar em coisas impossíveis". A Rainha Branca responde-lhe: "eu ouso dizer que não tens muita prática (...) às vezes acreditei em tanto quanto seis coisas impossíveis antes do pequeno almoço".

(alguém por aí...

... me sabe dizer porque é que já não consigo por fotos aqui??
[uaaaaaaaaaaaa])

há dias em que as palavras são só palavras e as nossas coisas mais facilmente se exaltam em imagens e fragmentos, no silêncio de uma letra branca.

25.4.05

devolve-me o gelaaaaaado

ouvi finalmente na rádio o novo single dos toranja. depois de uma amiga minha me ter falado num refrão que metia gelados pelo meio não consigo não me rir ao ouvi-la.

"devolve-me o gelaaaaaaado meu amor!"

25 de abril s....substituído! :)

não este ano não vou ver nem um dos filmes ou séries que derem sobre o 25 de abril. não vou! já os vi 500 mil vezes, já passei uma noite inteira a ver um dos filmes em "tempo real" (à portuguesa) sobre toda a revolução, já sei a historia de cor, mesmo sem ter estado cá para a viver. continuam a repetir vezes sem conta os mesmos filmes, os mesmos documentários, as mesmas músicas: e com razão porque há quem goste de relembrar, há sempre quem nunca tenha visto, é a história do nosso país, são 31 anos de cravos e de paulo de carvalho, bla, bla bla! mas aqui eusinha este ano não me meto nisso: confesso que cada vez vejo mais o comunismo com olhos cepticos, e talvez por isso nem me apeteça ouvir falar desta revolução, camaradas e mais camaradas, e mais: nem vejo grandes razões para comemorar o nosso país nos dias que correm, estou bem do contra hoje! (e nem percebo nada de política.)

acho que estamos mesmo é precisar de uma mudança, uma nova revolução sem cravos e sem tanques, para mudar mais uma vez a história, está na altura. para comemorarmos outras 'músicas', noutros contextos, noutras "guerras"...
tenho a solução para um portugal melhor :)
que tal manter a botânica e substituir os cravinhos por ervinhas para toda a gente? ? !

“(...)compreender é confundir-se com o outro e arder dentro dele.”

Milan Kundera em
“O Livro do Riso e do Esquecimento”

23.4.05

para ti.



"como se fosse sempre"

para ti.

ainda espero nas noites do silêncio uma sombra de ti, sabes quem es? sei que existes por aí nalgum lugar onde ouves o mesmo silêncio que eu, sei que um dia com olhos claros ou com olhos de sapo esbugalhados vou ser tua e o tempo vai parar em nós voar azul sobre os nossos dias. sei que te encontro quando fecho os olhos, por dentro de dentro de mim. e isso é tanto e tão completamente intocável. a loucura de existir por dentro. ainda espero nas noites longas como hoje, a tua ausência sentida. ainda procuro, naqueles caminhos dos nossos sonhos, esses. ainda procuro a tua mão que me segura. mão de homem, homem, segura, forte. ainda te procuro e nem sei onde vou. e quando o sonho acaba acaba o dia na noite longa, imóvel. tenho um nó cá dentro de outras coisas porque às vezes a vida doi. sabias que mesmo sem querer a vida doi? aprendemos sempre de novo que ninguém faz por mal, mas às vezes a vida doi. deixa-nos desarmados para outras guerras. tenho um nó de estar triste que vai passar porque tudo passa e o caminho é lá à frente. e tu sabes quem és? ja te encontraste? é que eu procuro por ti e nem te conheço os gestos calados, nem o colo que te vou dar, nem o calor do cansaço, nem o sabor do abraço, o sabor de ti nas coisas, nem o canto do riso sincero. e até sei que existes. ou o acreditar perderia todo o sentido.

"a todos os viajantes que ousam chegar
percorrendo um tempo que os move
de forma implacável
com o destino de realizar cada dia
a ternura de um momento.
o ser interminável
abrindo as mão que ardem como o silêncio,
como transpirando aquilo que somos
numa tentativa de viver,
numa tentativa de ousar um amor
que nos acompanha
para além da fronteira das palavras,
nos implora a ser universais
e a viajar na mente.
e tudo

porque existimos."

22.4.05



nesses dias distantes nem suspeitava
a vida pode ser interminável

José Tolentino Mendonça

21.4.05

"enquanto dormes..."

Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento a noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar
Eu fico um pouco
Por dentro dos desejos
Por mil caminhos que são mastros e horizontes
Tão livres como estrelas sobre os mares
E atalhos pelos montes

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti



Nalgum Lugar Perdido, Mafalda Veiga
(esta é, sem dúvida, das letras que mais me tocam fundo...)

18.4.05

ausência



as minhas mãos que te escrevem a desenhar o mundo.
as minhas mãos. as que te escrevem onde te sentas no silêncio dos dias.
o que percorre de ti nas palavras livres
quando és passo a passo dos passos meus.
as minhas mãos e as palavras.
e o que te escrevo no silêncio de nós,
no olhar. nas sombras dos passos a serem teus.
o que te escrevo quando me olhas em silêncio
e olhos dos outros são nada. quando me olhas intacto e
o mundo não desconfia.
as minhas mãos inteiras cruas a escreverem palavras
soltas, inteiras nuas. as tuas.

17.4.05

dentro de mim

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
E a atenção começa a florir, quando sucede a noite
Esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
Se enchem de um brilho precioso
E estremeces como um pensamento chegado. Quando,
Iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
Pelo pressentir de um tempo distante,
E na terra crescida os homens entoam a vindima-
eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
Ao lado do espaço
E o coração é uma semente inventada
Em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
Tu arrebatas os caminhos da minha solidão
Como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
Os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
Correr do espaço -
E penso que vou dizer algo cheio de razão,
Mas quando a sombra cai da curva sôfrega
Dos meus lábios, sinto que me faltam
Um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
Que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.


Herberto Hélder

16.4.05

ai....

que tédio!...
quero viajar, nadar, tirar fotos, torrar ao sol, andar por estradas, descobrir caminhos, abrir os braços ao vento, jolas geladas... quero férias desta coisa de estar parada no mesmo sitio tanto tempo!!
alguém se oferece para patrocinar uma viagem assim toda cheia das coisas aqui à amiguinha ja que n tenho o famoso "paitrocinio"...?!?

15.4.05

nenhum olhar

"Penso: nunca ninguém se lembra de procurar as coisas onde elas estão, porque nunca ninguém sabe o que pensa o fumo, ou as nuvens, ou um olhar."

José Luís Peixoto em "Nenhum Olhar"

finalmente...


casa da música, Rem Koolhaas

coisas boas para se verem!
quero tocar-lhe, sentir a luz e a cidade e as paredes frias, o espaço quente, quero estar, por lá...

14.4.05

granda SPOOORTING

ate chorei...

13.4.05

arte é isto, o reinventar da existência. música para os ouvidos, desconhecidos de si.

é daquelas coisas!

hmmm.... maio abril março fevereiro janeiro dezembro novembro outubro setembro agosto...

agosto/setembro... férias... sol... calor... festas....

está desvendado o porquê de TANTA gente fazer anos em Abril/ Maio...

ps- Parabéns Maggs, o teu dia é hoje... :D

12.4.05

a estreia


ontem fui ver os the gift ao lux: felomenal!! que presença, que voz.. e os ritmos tão loucos com que eles estão a serem os nossos pés e as nossas mãos. os ritmos a serem nós dentro de nós e nós nas danças dos ritmos, fenomenais!
mas o importante neste post é mesmo a estreia do meu novo tlm como maquina fotográfica diária no seu fantástico papel de dar para todas as ocasiões, todos os momentos, todos os lugares.
nunca pensei surpreender-me tanto com uma coisa destas.....!

11.4.05

"Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

por Vinicius de Moraes

obrigada

obrigada a toda a gente que me deu os "parabéns", :) a palavra mais ouvida neste dia. obrigada a quem veio.
fazer anos para mim é sempre uma sensação estranha! mas boa, enquanto não penso nos anos que passam e no que vai ficando para trás. boa, enquanto tudo o resto for a insignificância das coisas nossas ao pé das amizades boas que nos rodeiam. Que possa tornar-me uma pessoa melhor neste ano que vem, e é tudo.

"obrigada", :) a palavra mais dita neste dia...

9.4.05

coisas que não se gosta...

não gosto mesmo nada de organizar jantares de anos, para mim!
mas uma coisa é muito boa, ter os melhores amigos por perto
naquele abraço.

7.4.05



If "manners maketh man" as someone said
Then he's the hero of the day
It takes a man to suffer ignorance and smile
Be yourself no matter what they say

6.4.05

obrigada, mestres da minha vida! :)

(para nunca mais esquecer...)
Como dizia Fernando Pessoa:

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

ao som de 11.33

Ain’t nobody’s love that can help me. You could answer my questions and show your repentance, now that I’ve wasted my time, now I know more is less… I guess I’ll choose the logic way. Next time you’ll have time to think why love is a hard thing to keep, you’ll understand what I’m saying. I want to know how you’re bringing me so down. So try not regain my attention because it’s late for your useless redemption. I’ve wasted all my life and now my heart is a mess. I’ll choose the tragic way, and then, I’ll have time to think why foolish love is such a hard think to keep…

11.33 The Gift



5.4.05

buh!


(à la amelie poulin)
hoje estou mais ou menos assim...

o nome...

...do sr!
Jamie Cullum

coisa mai linda!!


...não é?? e vem cá!!!
Freeport de Alcochete, 23 de Abril as 21h.
EU VOU (ou pelo menos, gostava de ir...) quem é que alinha??

dobra do tempo


na dobra do tempo que inventamos
em meio à memória de sons e semitons
dormem a ternura o anseio
as palavras

a face do desejo
não adormece
sonha
sonhos loucos
a desprezar a mais pura das lógicas



silvia chueire

4.4.05

as televendas

durante esta noite, enquanto estive a trabalhar, fiquei a conhecer uma maquina fabulosa de fazer donnuts, e todo e qualquer tipo de equipamento de emagrecimento, incluindo máquinas malucas que nunca tinha visto na vida, até aquelas cintas que nunca emagrecem ninguém mas que eles insistem em dizer que sim. descobri que eles até têm conversas parvas entre eles, como se já não bastasse tanta babuseira que dizem enquanto tentam vender o produto... esta noite, enquanto trabalhava, tinha a tv ligada ja nem sei em que canal e segui as televendas até alguém do outro lado dizer bom dia num programa esquisito onde o entrevistador falava com um angolano anónimo e mandava bacuradas em todas as perguntas. acho que falavam de kizomba e de outras danças. nem me apercebi do tempo a passar e a ser dia outra vez, so quando os vendedores das televendas foram substituidos pelo barulho insurdecedor dos pássaros da primavera lá fora. uma coisa é certa, não há companhia mais parva e mais adequada a uma noite de trabalho do que as gloriosas televendas... é assim que se passa uma noite ao contrario.

3.4.05

é tão bom!

Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros com cores
que nunca vi que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal

É tão bom uma amizade assim

Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem
me quer

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e o mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva sem se derrapar
na avenida do luar


Sergio Godinho in
'os amigos do gaspar'

"Não Há Longe Nem Distância"

hoje li esta frase e pensei que ela não me podia ser mais familiar, não tenho bem a certeza mas acho que vem dos velhos tempos de escutismo... :) das fronteiras/obstáculos/problemas que deixavam de existir no primeiro passo de cada caminhada, na primeira palavra de uma entrega, no esticar o braço e fazer cócegas ao outro lado do mundo, de sermos todos tão parecidos e tão iguais, das nossas capacidades de fazermos de nós o que quisermos, de não haver longe nem distância numa amizade, na vida.

onde a li, seguia-se disto:
"Poderá a distância separar-nos realmente dos amigos?
Se quiseres estar com alguém, não estarás já lá?"

e gostei.

2.4.05

vazio

o Papa morreu e eu senti um vazio como já não sentia ha algum tempo. admiro a doce forma de ser, a irreverência, audácia, as vitorias na aproximação das diferentes religiões, o diálogo. as viagens e os anos de sofrimento em doenças interminaveis. admiro-lhe ter vivido até ao fim. admiro, a visão futurista de (nos) levar jovens à igreja. apesar de todo o conservadorismo (ainda que coerente) em relação aos divorcios, uso do perservativo, homossexualidade, admiro-o na herança que nos deixou de uma igreja católica em renovação, mas principalmente, de um ser humano capaz de regrar, motivar, comover e mudar opiniões de multidões nesta fase confusa e sem tempo, sem regras, do mundo. é de homens assim que a história da humanidade se constroi. e hoje perdeu-se mais um entre nós.
o mundo ficou 'ligeiramente' mais vazio. como eu.

1.4.05

...such a good man...


fotografia rumen koynov

"Tirei o dia para me comover
Sentir e não conter
Nada quero a salvo"

estou meia sem palavras e com vontade de deixar aqui qualquer coisa. fiquei triste quando se falou pela primeira vez na morte do Papa, acho que no fundo acabo sempre por levar a esperança até ao fim. mesmo com todas as inevitabilidades...

rezo. com o mundo. fique em paz.

este ano...


fotografia de Tomás Pimenta da Gama, "roubei-lhe"! ;)
é alguém que o marcou por lá.


...gostava mesmo era de ir a cabo verde!!

cheiro de verão

hoje cheirou-me a verão, literalmente. é cheiro que me faz lembrar do mar, mesmo que não seja o cheiro dele. da marginal azul. cheiro de vento parado e calor. cheiro do sol que demora nas ruas feitas das cores que cheiram a verão. é cheiro do céu colorido devagar. e calor. e mar. e mar. cheirou-me ao barulho das ondas. aquele da praia ainda vazia de primavera. a primavera vazia que cheira a verão e sol. aqueles alpendres amarelos torrados do fim da tarde que não sei se existem, mas são verão. voltou o cheiro do verão. (mesmo que os senhores do telejornal agoirem chuva para amanha!....:) eles sabem la o que dizem: uns energúmenos, como dizia o eduardo repetidamente nas suas aulas de código...)

30.3.05

Ámen

Aprende todas as regras, para saberes
como infringi-las correctamente.

Dalai Lama

28.3.05

imobilidade



ama e não procurarás
pára para viver,
e cega se tudo queres ver

amar é descanso de busca

deixa de pensar e acredita
desprende-te de ti
e assim te encontrarás

amar é descanso de busca.

Anna Hatherly

26.3.05

sabe bem voltar-te a ver

ontem foi assim um verdadeiro "sabe bem voltar-te a ver", mesmo que no vasco da gama e entre comboios que são rápidos e nós com pressa para o almoço de familía da jana, mesmo que no meio da cidade estranha ao teu redor porque tu pertences ao verde que também é nosso e dos nossos sonhos, guida. dar um abraço a um amigo que não se vê há tanto tempo é um oásis... que procuramos e corremos e encontramos com todas as nossas forças, porque precisamos disso para viver. é o tempo a esvaziar-se na pressa de existirmos. o tempo a não existir contra o tempo que voa sobre nós. tenho descoberto que pelos amigos não há tempo nem pressas nem sono nem preguiça nem falta de forças que existam em nós. como as marés e as correntes que se encontram lá ao fundo, ainda que seja através delas que o vento sopre ao contrário. "sabe bem voltar-te a ver", não podia ser de outra pessoa.

25.3.05

Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa na nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade da nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso.

Antoine de Saint-Exupéry

palminhas!!

e foi bom o palma, claro. já tinha saudades daquela eloquência em palco, ou só de o ouvir a falar, divagar, rir, ser, palma. tinha saudades do palma! ele é assim, da-nos arrepios e emoçoes e vontades que não acabam. dá-nos sedes e pressas e "verões de 3 meses pela frente" como dizia o David Mourão Ferreira. palma é palma, de chegar atrasado com ar de quem vem de um inter-rail ou coisa parecida, meio timido meio em casa meio palma, meio amigo meio genio nas palavras, nas músicas. ouvi-lo é sempre cair no interior da melodia e percorrer-nos, ir ao fundo e voltar em viagens de instantes como nos sonhos, no meio de qualquer lugar, seja numa fnac ou seja o teatro mais intimista. (se quiserem uma melhor descrição da essencia do palma leiam o texto da contra-capa do livro dele que foi lançado,"na terra dos sonhos", organização de João Carlos Callixto e Jorge Palma, edições quasi, como não podia deixar de ser.)

enfim... o palma é um modesto: disse que não é um poeta!

23.3.05

Piada Ribeirinha II

Havia um homem tão pequeno, tão pequeno, mas tão pequeno...
que em vez de andar de metro...andava de milimetro..... eheh!

once and again

o episodio de hoje do Começar de Novo falava da doença de alzheimer. a velhice assusta-me imenso. não sei se por medo ou por preguiça. medo de crescer e envelhecer e medo de ver os outros envelhecerem à minha volta. medo de perder a lucidez. medo de ver os meus pais perderem a lucidez. por outro lado, acho que faz tanto parte do rio da vida essa coisa de ser filha, ser mãe, e voltar a ser filha e mãe. assustador e ternurento. essa parte de ter de cuidar dos pais, dos velhinhos que conhecemos novos e fortes e adultos e imagem do nosso futuro, exemplos de vida. (fez-me chorar este episodio.) sei la, a velhice mexe comigo. talvez por estar acostumada a conhecer-lhes a solidão sem memórias certas. fico a ler essas bibliotecas tesouros que eles são, mesmo na falta de lucidez, as tatuagens histórias gravadas em cada ruga. e também, quando vejo a fragilidade nos ossos frágeis memórias doi-me qualquer saudade cá dentro do que foram, que conheci, que alguém conheceu e gostou. doi-me e deixa-me feliz por eles ainda existirem ali olhos vivos pessoas palavras à minha frente.
quando vi a lily pedir à mãe para ficar em casa dela para poder cuidar dela porque queria cuidar dela (a mãe da lily morava sozinha e está a ter sintomas de alzheimer), quando vi a lily abdicar da vida passifica e da vida que era de mãe porque só tinha filhas continuar a ser de mãe porque a mãe dela precisa agora de cuidados de mãe, chorei. porque isso é humano, mesmo que em filme ou série, sei que acontece por aí e ainda bem que é assim que há gente assim, como a "lily". mas nem tudo é tão facil assim, quando não há casa dos filhos há os lares e aí a ternura é outra... agradece-se às auxiliares de todo o mundo o carinho enorme que têm com estes velhinhos que não se lembram nem do proprio nome, nem da vida que é vida e é a deles, nem de ninguém nem do que foram nem do que são, nem so futuro escondido atrás da porta que não se lembram.
o episodio de hoje acabou bem, como sempre. a mãe da lily aceitou morar com ela e agora devem estar umas 10 pessoas na mesma casa que não é assim tão grande mas tudo se resolve e também, em séries americanas tudo é possivel claro, a vida impossivel torna-se o dia a dia mais banal!

22.3.05

na terra dos sonhos


melhor do que só o palma é o palma, a mafalda veiga e o jorge reis sá juntos.
só coisas boas por metro quadrado!

"Simple Things"

It's an easy ride to roam
You'll never walk alone
Natuarally we blew
Simple things we say
Everyday we find the way
Seems like we've opened up the door
Feels like we've walked this way before
Natuarally we blew
Simple things you say
Everyday you'll find the way
It amazes
Everyday

Zero 7 - Simple Things

21.3.05

djavan é show dji bola!

vim agora do djavan. é incrivel a massa populacional de brasileiros que de repente está no nosso país. não que isso seja mau, pelo contrario, adoro o carisma "dessi povo" mas é no minimo caricato ir assim a um concerto de algum brasileiro, ou uma peça de brasileiros, e de repente estarmos rodeados de tal maneira que nos sentimos um deles, ou seja, que tão facilmente nos sentimos um só, a mesma lingua e o mesmo ser. nunca tinha visto o djavan ao vivo, e já tinha (ou só tinha) ouvido o djavan ao vivo. gostei imenso. acho que podia, porque podia e ele era capaz, estar melhor- mas não estou em posição de criticar. :) adorei. porque ele cantou os grandes êxitos, porque ele tem uma voz que entra sempre bem, porque não estava à espera de ir (obrigada por se terem lembrado da pipa...;)), porque ele é brasileiro e eu não sei se já tinha dito mas: [adoro o carisma dessi povo!]
o djavan não me lembra uma fase qualquer da minha vida, lembra-me diferentes fases, espalhadas pelo tempo de mim, fragmentos, viagens, pessoas, emoções, ambientes, sempre de uma maneira leve, posso até dizer feliz. djavan é tudo dji bom, show dji bola!
e mais uma vez a música é isto, a mistura perfeita e embalada das emoções cá de dentro, de todo o lado e tão na corda bamba do que somos ao ouvi-la.

20.3.05

boas

F É R I A S ! !

19.3.05

a si

Chamavas os bois com a mão
Mais mansa. A mão
Com que adubavas a terra
Com que puxavas o banco
Para a frente da lareira
Com que me mediste
Palmo a palmo na infância.


Daniel Faria in “Dos Líquidos”

as horas

olhar a vida de frente,
olhá-la sempre de frente,
e saber

como ela é.
finalmente...sabê-lo.
e amá-la pelo que ela é,
e depois...

pô-la de lado.
entre nós sempre os anos...

os anos, sempre.
sempre...

...o amor.
sempre...
...as horas.

Michael Cunningham in “the hours”

sentidos dispersos


este movimento do vento nas coisas mostra-me a vida a existir. como os gestos das gentes. como os sentidos que se têm, em movimento. dispersos. inteiros. os sentidos dos ventos fortes da vida. este vento sabe a vento quente que me toca inteira, sabe a voar. sabe ao movimento doce da vida nos dias leves.

18.3.05

clandestino


jardim botânico do Rio

(porque a adriana calcanhotto me faz lembrar este lugar, que quero conhecer um dia:)

CLANDESTINO

vou falar por enigmas.
apagar as pistas visíveis.
cair na clandestinidade.
descer de pára-quedas/camuflado/
numa clareira clandestina
da mata atlântica.

já não me habita mais nenhuma utopia.
animal em extinção,
quero praticar poesia
- a menos culpada de todas as ocupações.

já não me habita mais nenhuma utopia.
meu desejo pragmático-radical
é o estabelecimento de uma reserva de ecologia
- quem aqui diz estabelecimento diz escavação -
que arrancará a erva daninha do sentido ao pé-da-letra,
capinará o cansanção dos positivismos e literalismos,
inseminará e disseminará metáforas,
cuidará da polinização cruzada,
cultivará hibridismos bolados pela engenharia genética,
adubará e corrigirá a acidez do solo,
preparará a dosagem adequada de calcário,
utilizará o composto orgânico
excrementado
pelas minhocas fornicadoras cegas
e propagará plantas por alporgue
ou por enxertia.

já não me habita mais nenhuma utopia.

sem recorrer
ao carro alegórico:
olhar o que é,
como é, por natureza, indefinido.
quero porque quero o êxtase,
uma réplica reversora da república de Platão
agora expulsando para sempre a não-poesia
da metemorfose do mundo.

já não me habita mais nenhuma utopia.
bico do beija-flor suga glicose
no camarão
em flor.

(de um livro em preparação, sem nome fixo)


Waly Salomão
para Adriana Calcanhotto
em "Lábia", 1998

17.3.05

isto ta bonito ta!

hoje fui ao hospital fazer um exame, para além de só entrar às 11h quando tinha marcação feita para as 9h, fui marcar uma consulta para quando houvesse vagas e, adivinhe-se para quando é que há vagas num hospital público considerado o melhor na área de cardiologia do nosso país?! 30 de Março, de 2006! :) sim sim... então tá, tenho consulta daqui a pouco mais de um ano! o que vale é que o que eu tenho não é grave, mas penso em outros casos piores, que remedio senão aguentarem-se um aninho à bomboca!... são os serviços do nosso país, sempre muito eficientes. é o que, falta de médicos?? baixem as médias que não deixam ninguém entrar, há tantas pessoas que vão parar a cursos que não gostam porque não tiveram média para entrar em medicina (nem sempre a media quer dizer jeito e talento.. acho eu)!! depois é isto que se vê... consultas com um ano de atraso para mostrar um examezinho! bonito...

16.3.05

diz que já sei...

"Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora"


Ana Carolina "pra rua me levar" (em brasileiro claro...)

15.3.05

sol de março

Dos laivos brancos que há no céu pra enfeitar
descendo à fruta já madura do pomar
e arrufando nas varandas
asas negras como as tranças
das meninas que à janela se vão pentear

há campos verdes onde cresce o malmequer
branco, amarelo com o bico o vai colher
e voltando prás varandas
com a flor enfeita as tranças
das meninas que à janela se vão recolher

um sol de Março
um vento fresco
e o canto alegre de fazer o ninho nos beirais
um campo verde
um sol aceso
e as meninas de outros tempos com seus aventais

de telha em telha saltitando sem voar
no espaço aberto agitando o seu cantar
trazem côr para as varandas
trazem laços para as tranças
das meninas que à janela se vão encantar
o sol demora no calor que faz dormir
o canto é lento é lindo é calma a descobrir
e as meninas nas varandas
os cabelos já sem tranças
debruçadas para os laços que viram cair

um sol de Março
um vento fresco
e o canto alegre de fazer o ninho nos beirais
um campo verde
um sol aceso
e as meninas de outros tempos com seus aventais

Mafalda Veiga


(de repente vem-me uma imagem da ju, a dançar. em qualquer lugar, ao ritmo certo desta musica... memórias de danças e risos, noites.)

vontade

é por estas e por outras é que tenho uma vontade estupida de ser mãe, só por uma questão de ser, conhecer esse outro lado da vida, viver momentos como esses do pedro, como os que a rita ferro rodrigues tão bem descreveu no seu blog, como os mesmos momentos (d)escritos de todas as maneiras diferentes por todas as pessoas diferentes, mas com o mesmo acontecer. só a vida a acontecer. há dias em que dá uma vontade de deixar de ser filha para passar a ser mãe, vontade de viver para outra vida que não a minha... vontade...

mas como nada na minha vida aponta para que isso aconteça tão cedo....

fico na vontade!

14.3.05

leva-me ao fundo

"leva-me ao fundo
de ti.

conta-me dos mares,
dos sonhos,
da espuma do mar.

ensina-me a topografia
do teu corpo,
leva-me ao fundo
de ti."

alexandre monteiro

12.3.05

alma


fotografia de Antonio


"O derradeiro mistério somos nós
próprios. Depois de termos pesado o
Sol e medido os passos da Lua e
delineado minuciosamente os
sete céus, estrela a estrela, restamos
ainda nós próprios. Quem poderá
calcular a órbita da sua própria alma?"

Óscar Wilde

conheceram-se por acaso.


antes de se conhecerem: conheceram-se por acaso. eles escreviam-se em cartas imaginárias, em vidas imaginárias, e conheceram-se por acaso. não eram os unicos, porque a vida sempre fez destas danças trocadas ao vento por quem sente, sentiam-se sozinhos nos dias. havia momentos em que se sabiam existir um ao outro. era como se a existência um do outro fosse a matéria que os mantinha vivos e sonhadores. era como se o tempo lhes corresse nas veias apressado e eles corressem atrás dele, incapazes de lhe tocar. conheceram-se por acaso, antes de se conhecerem. tocavam-se nas entrelhinhas das cartas imaginárias que escreviam. quando se escreviam, era desde sempre. às vezes, sentiam-se um ao outro na pele nervosa que doía de vontade. quando iam dormir, a solidão invadia-os em cacos e pozinhos mágicos de sono, sonhavam-se. (antes de se conhecerem.) e a vida era mais real ali. fácil fácil como a vontade fácil de serem exactos quem eram. havia dias em que as horas não existiam, os dias não existiam: corriam as horas pelas horas na vontade do sono que trazia o sonho e a vontade de se tocarem, de olhos fechados. sentiam-se loucos. e a loucura era a melhor certeza na obliquidade serena dos dias, esperavam. quando se sonhavam, conheciam o sorriso sincero da espontaneidade, sabiam existir-se em vidas distintas, sentiam-se. eles tinham as certezas de um tempo para sempre neles. faziam planos que eram os mesmos e riam-se. tinham formas de ser parecidas, tinham os mesmos gestos e os mesmos jeitos, o riso não, completavam-se como se encaixavam perfeitos nos sonos sonhos sonhados um do outro. antes de se conhecerem, ja se conheciam em danças lentas e leves em que se tornavam um só corpo, moldado, um. agora, quando é à tarde, fecho os olhos e ainda te vejo. diziam-se, quando os dias eram maiores, quando a sede era a de sempre. adoravam-se nos imaginários sedutores e morriam de vontades. conheceram-se por acaso: cruzaram-se, na viagem de volta para a casa e para o sono e para a vida feliz- verdadeira- que construiram real. olharam-se e reconheceram-se de si a si mesmos, era a vida a trocar-lhes as voltas, no caminho certo certo dos passos certos, das linhas certas como as entrelinhas que eram deles, certas. olharam-se. enquanto seguiam para lados opostos, na mesma vontade, no mesmo sonho, na mesma vida. olharam-se. sentiram-se. comoveram-se. viveram uma vida nos olhos um do outro. amavam-se. como hoje. seguiam caminhos opostos nos passos inconscientes. houve um momento em que se olharam eternamente. pararam. e era como se o vazio de uma vida se enchesse de uma matéria qualquer, sentiram-se um ao outro, para sempre.

11.3.05

o quê?

ontem a noite na sic estava a dar o flash de há não sei quantos anos atrás, o entrevistado era o Pedro Granger, e lá pelo meio passaram o magnifico video clip da Mafalda (cheio de gente gira :) ), "uma gota". Enquanto passavam o video clip iam rodando umas frases em rodapé, entre elas uma dizia: "Pedro Granger foi o fundador do clube de fãs da Mafalda Veiga". Pára tudo!
Quê?? Pedro Granger foi o fundador do clube de fãs da Mafalda Veiga?

Tá Malee!! mas que é isto?? ai o menino.... (se o ricardo sabe disto há marosca...)

10.3.05

sempre achei que enfrentar os medos fosse a melhor maneira de (n)os vencermos.

"life goes easy on me..."

The Blower's Daughter

and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies
i can't take my eyes off of you
and so it is
just like you said it should be
we'll both forget the breeze
most of the time
and so it is
the colder water
the blower's daughter
the pupil in denial
i can't take my eyes off of you
did I say that I loathe you?
did I say that I want toleave it all behind?
i can't take my mind off of you
my mind'
til I find somebody new

Damien Rice in "O"


(esta música é tão, tão, tão gira. especial.
obrigada ao Pedro Ribeiro que me deu a conhecer o Damien.
tenho ouvido imenso: é especial. "life goes easy on me... most of the time!")

9.3.05

Interrogação



É alucinação este arrepio
no corpo movido a pensamentos,
palavras,
que se aglomeram apressadamente,
imagens,
sons,
memória falível,

Apenas porque pensei ouvir-te ?


Silvia Chueire

tenho SONO...

...se há coisa que não gosto é de ir dormir a saber que vou dormir pouquissimo... azarito!

é como me diziam na escola primária: "não gostas? comes mais!!" (o que eu sofria com aquelas sopas horrendas...)

8.3.05

curiosidades...

Descobri duas coisas 'interessantissimas' para a vida deste blog:

Primeiro--» existe uma Oração com o nome do meu blog: (cá vai)

Oração de todos os lugares

Bem-aventurado é o lugar,
a casa e o coração,
e bem-aventurada a cidade,
a montanha, o refúgio,
a caverna e o vale,
a terra e o mar,
o prado e a ilha –
onde se haja feito menção de
e celebrado Seu louvor.


Segundo---» existe uma música com o nome do meu blog: (cá vai)

Todos os Lugares

freqüentas as minhas mais
estranhas fantasias
e todas as manhãs
és o meu pão e elite (pão e elite?)
me salvas do jejum
nas madrugadas frias
e à noite sempre volto a te pedir:
me aceite

não venho de lugar algum
especialmente
pois já passei por todos os lugares
eu muito sinto tudo isso e sei que sentes
se acaso não concordo quando me acordares

quero-te mais do que imaginas ser possível
te trouxe um búzio mágico dessa viagem
marinha melodia ao pé do teu ouvido
já que pensas que sou um marinheiro audaz

faça de conta
que nada disso conta
que não importa exceto
estarmos outra vez aqui
abra-me novamente a sua porta
pois eu jamais parti

(Sueli Costa)


Só espero estar a dar melhor uso ao nome do que este ultimo exemplo.... música mais estranha essa aí cara...:)

Mulher


Foto: Abedin Taherkenareh/EPA

Uma mulher iraniana
coberta com um "shador"
fotografada em Teerão
no dia em que se celebra o
Dia Internacional da Mulher.

7.3.05

nua II

Gosto do sal colado à pele. Gosto de casas e tectos e planos e pátios e água. Gosto do som da água. De me demorar num abraço. Gosto do ser e da palavra eterno. Gosto do sabor a sal. Gosto de brincar. da Galé e de Marvão. Gosto de pessoas queridas, e de pessoas com máscaras de más quando não são: e de descobrir isso, de descobrir sorrisos lá dentro. Gosto do bairro alto, do castelo e de alfama. Gosto de teatros. Gosto de camarins e gosto do nervoso de entrar em palco. Nos outros e em mim. Gosto de ballet: das minhas pontas, das musicas que ainda hoje me trazem os passos silênciosos em volta de si. gosto das recordações. E da memória. Gosto do chapitô e de jantar no restô. Gosto de ter saudades. Gosto de ter tempo. Não gosto de andar à toa. Gosto de me perder. Gosto de pintar. Gosto de desafios. Não gosto que saibam tudo de mim. Não gosto de xila. Gosto de sintra no inverno e da lagoa azul. Não gosto de manga. Não gosto que me controlem. Gosto da liberdade limitada quando finjo que os limites não existem. Gosto do Matisse e do Degas. Gosto da Viera da Silva e do Pullock. Gosto de arte e da criar-te.Gosto do Porto. Não gosto quando me perco no Porto. Não gosto de vodka. Não gosto de gin tónico. Gosto de cerveja gelada e de vinho tinto meio morno. Gosto de coca-cola, ice tea green e gostava de café. Gosto do Rui Chafes. Gosto de dormir na praia e acordar torrada. Gosto de receber cartas e emails que não sejam forwards. Gosto de timing e de tê-lo. Gosto de piadas secas (as “piadas ribeirinhas”). Gosto do prédio amarelo. Gosto de tascas e de évora. Gosto dos alentejanos. Gosto do "nosso" clube de fãs da Mafalda. Gosto de planícies e das estrelas do alentejo. Gosto da Ju a dar ordens. Gosto de caipirinha. Gosto do pico e de ter subido lá acima. Gosto da Mafalda Veiga. Gosto de ter amigos de muito tempo. Não gosto de música pimba. Gosto de conduzir. Gosto de viagens sem destino. Gosto quando está frio la fora e o carro está quentinho. Não gosto de bichos de prata. Gosto de acampar. Gosto da essência das coisas. Só às vezes é que gosto de exageros. Não gosto que haja fome. Nem doenças. Não gosto de ter de mentir. Gosto das sombras dos passos no chão. Gosto de chão. Gosto das coisas boas da Té, e de todas as coisas boas que a Mafalda me ensinou. Não gosto de más noticias: nem de telefonemas com más noticias. Gosto de guitarras e gostava de saber tocar. Não gosto de depender do telemovel. Gosto de ser tocada por quem gosto, e de mãos. Gosto de dar prazer aos outros. Gosto de festinhas na cabeça. Gosto de massagens. Gosto que a Té ainda me esteja a dever umas. Não gosto de violações a mulheres e a crianças. Gosto do gato fedorento. Gosto do Jorge Reis-Sá e da Rita Ferro Rodrigues a escreverem. Gosto das piadas da Janica. Não gosto de fazer directas quando tenho sono. Gosto de dormir. Não gosto de depender da sorte. Gosto da Ella Fitzgerald. Não gosto dos piropos dos homens das obras, a não ser que sejam especialmente trabalhados para terem piada. Não gosto de velhos rebarbados. Gosto da Amelie e das cores da Amelie. Gosto do dramatismo do José Luis Peixoto. Gosto do chile e gostava de pisar aquela terra. Gosto do Ché. Gosto da pureza do budismo. do zen. Não gosto de pensar no futuro das crianças deficientes. Não gosto do cancro nem da morte que lhe está associada. Gosto do momento. Não gosto da capacidade que um momento tem de fazer o futuro incerto e gosto da ideia do futuro incerto. Gosto da Diana e da Rita e da Inês e da Inês e da Xinho e do Filipe e do Gravito e da Sofia e da Martinha e do Erick e dos outros que são daqui e que gosto. Gosto da minha terra e de ser ao pé do mar. Gosto da minha turma deste ano: e de ter conhecido o Gonçalo (gosto de pessoas sinceras) e o Pedro e o Pedro e a Ana e a aasul. Gosto da aasul. Gosto das orações da aasul e dos velhinhos. Gosto de voluntariado e de gente que faz voluntariado. Gosto da Maria a cantar e tenho saudades. Não gosto de despedidas para sempre. Gosto do João desafinado a cantar a menina das tranças pretas. Gosto que o João saiba tudo e não gosto que o João saiba tudo. Não gosto de saber que alguém não teve infância. Gosto da palavra sempre. Gosto da Maria Bethania em maricotinha ao vivo. Gosto dos italianos. Gosto do Jamiroquai. Não gosto de ainda não ter encontrado um chinês bonito. Gosto de malucos. Gosto da Rita Lee, da Fernanda Young, da Vera Mantero, dos projectos do Dean e de todas as pessoas que, diferentes, fazem avançar o mundo. Gosto da diferença. Gosto de beijos. de desejos. Gosto da parte secreta de tudo. Mas não gosto quando me contam aqueles segredos terriveis e perturbadores. Gosto de ouvir, aprender e aconselhar. Gosto de ser amiga. Gosto que confiem em mim. Gosto de ajudar. Não gosto de extraterrestres verdes com um olho. (Se tiverem dois olhos ainda escapa...) Gosto do Souto Moura. Gosto de estórias e memórias de quem já viveu algumas coisas. Gosto de pessoas frias que são quentes por dentro. Gosto do cheiro dos bébés, da praia, do chocolate quente, dos chás, do herbal essences, do light blue, dos morangos, da manha, de roupa nova, das avós, do café, das tintas acrílicas, da felicidade, da vida. Não gosto do cheiro da gasolina, dos cigarros dos outros, do queijo da serra, do whiskey, do ferro a soldar, da morcela. (esta ultima frase deixou-me mal disposta...) Gosto do Sporting. Não gosto do Benfica. Gosto do calor do sul de espanha. Gosto do anoitecer. Gosto de Barcelona. Não gosto de Sashimi nem de sushi: não gosto de peixe cru. Gosto de quente e de pele. Gosto do Ethan Hawk e da Julie Delpy em before sunrise e before sunset: gosto de imaginar que aquilo pode acontecer, gosto do perfil dos personagens e da banalidade simples da vida, gosto de me descobrir na "Celine" mas não gosto de descobrir com ela o quanto também eu sou neurótica e quase incapaz de me entregar. Gosto de misticismo. Gosto de ter medo e não gosto de ter medo. ele existe. Gosto de gritar, faz bem. Gosto de ouvir quando todos falam. e ainda não gosto de falar quando todos ouvem, fico com vergonha. Gosto de tribos. Gosto da India e de ter um primo "maluco" que mora lá: de não ser a ovelha mais negra da familia. Não gosto de droga que estraga familias. Gosto do meu padrinho. Não gosto que ele more longe. Gosto de pensar na ideia de um inter-rail, de um ano em voluntariado fora de portugal, do mundo ser a dois passos de casa. Gosto de ecologia e de renovar, reconstruir (re...)... Não gosto de hipocrisia. Gosto de competência. De vontade. De energia cinética. Não gosto quando me subestimam. Gosto de ter a certeza do que sou. Não gosto de ser preguiçosa. Gosto da meia lua em forma de queijo. Gosto de quem me está a ler porque tem paciência. Não gosto quando espero respostas e as pessoas não falam, não respondem, não são. Gosto do silêncio. Não gosto do silêncio incomodativo entre amizades. Gosto que a Margarida esteja a acabar medicina. Gosto do mar e da Sophia. Gosto de estrada. Gosto de me rir. Não gosto do meu sorriso. Gosto de luz quente amarela torrada. Da luz de Lisboa nas coisas. Não gosto de estar branca. Não gosto quando não se lembram do meu nome. Gosto dos meus amigos felizes. Gosto da luz que a arquitectura é capaz de fazer. Gosto do que ainda não existe. de pensar que ainda posso fazer uma casa, escrever um livro, pintar muitos quadros. Gosto de pensar que posso mudar o mundo. Não gosto de me sentir inutil. Gosto de ganhar dinheiro mas gosto ainda mais de gasta-lo. Gosto da Laurinda Alves porque nunca li nada dela que não tivesse gostado. Gosto dos Açores e da Ana Moitinho. Do Pedro e da Cuca. Gosto de sentir o vento quente de braços abertos. Gosto de pessoas divertidas. Gosto de puffs espalhados pelo chão e de redes brasileiras. Gosto de desenhar, pessoas e gestos, ambientes. Gosto de música. e da lua. de relva. de areia, areia quente a queimar os pés. Gosto que me emocionem e que me façam mexer os sentidos, remexer a vida, ir ao fundo. Gosto que a vida seja para sempre. e de me despir aqui, inteira.